
Há muito tempo que sou uma mulher com sorte. Tudo o que de desagradável ou problemático me aconteceu na vida foi, sempre, grandemente compensado pelas coisas boas que, igualmente, me aconteceram.
De facto, se de nada beneficiei gratuitamente desde que me conheço, tenho também a perfeita noção de que o preço que paguei pelas situações espinhosas foi relativamente pequeno, equiparado com o que de bom a vida me deu.
Isto vem a propósito daquele balanço de introspecção que se costuma fazer quando o ano se aproxima do fim.
Estes dois últimos anos, não foram dos mais brilhantes, e poderei até dizer que, sob alguns aspectos, foram mesmo muitos tristes. Mas tiveram a especial virtude de testar a minha aptidão em ultrapassar situações problemáticas.
E teve, sobretudo, a marcá-los, de uma forma muito clara, a imensa amizade de alguns amigos.
É para eles que dedico este texto.
Não digo que os maus bocados da vida acabem por serem compensados pelo carinho daqueles que nos estimam… Mas é, de facto muito gratificante que nestes momentos a amizade esteja presente e a ternura se manifeste.
São de facto esses amigos que estão sempre presentes nos maus momentos, que festejam connosco as nossas alegrias, que respeitam os nossos silêncios e que sabem ouvir as nossas lamúrias que eu chamo de bons amigos.